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Vale do São Francisco, 21 de Setembro de 2017
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Postado em 30/07/2017 às 08:06
Atacarejo foi o setor varejista que mais cresceu no ano, diz pesquisa

O atacarejo foi o segmento do varejo que mais cresceu em 2016, seguido pelo setor de ótica e pelas farmácias. Os dados fazem parte de uma pesquisa feito pelo Centro de Inteligência Padrão (CIP) em parceira com o Serasa com as 350 maiores empresas do setor.

Enquanto isso, os segmentos de materiais de construção, vestuário e lojas de departamento tiveram os piores desempenhos – sendo que o primeiro foi o único que teve queda nas receitas.

Os destaques positivos

 

Considerado um meio termo entre o atacado e varejo, o atacarejo foi o grande destaque de 2016, segundo a pesquisa. Esse tipo de varejo oferece produtos a preços menores do que os supermercados tradicionais, em uma estrutura menos conveniente - em geral, as lojas de atacarejo ficam fora dos bairros centrais.

Roberto Meir, presidente do Grupo Padrão, consultoria responsável pelo centro de pesquisas que realizou o estudo, explica que o dado é reflexo da própria crise, assim como o crescimento mais tímido das receitas dos hipermercados.

“O boom dos atacarejos, que crescem dois dígitos todo santo ano, vem por conta de ser o lugar mais barato, ao mesmo tempo em que há perda de vantagem do hipermercado, que está entrando em desuso.”

O segundo maior crescimento foi o setor de óticas, o que Meir credita ao aumento de produtividade das empresas do segmento. Isso porque, apesar de registrar o maior crescimento no número de lojas de todo o varejo, com 12%, o setor teve um crescimento de apenas 2,7% no número de funcionários no mesmo período. A produtividade por funcionário subiu 12,2%, e o setor também foi um dos poucos a reduzir seu endividamento.

“No setor de óticas, a operação ficou mais ligeira, o que aumentou a produtividade e a rentabilidade deles”, resume Meir.

 

O segundo pior desempenho foi o de vestuário e lojas de departamento, apontado por Meir como reflexo do corte de gastos considerados supérfluos pelos consumidores em meio à crise. “Isso está até dentro da ótica do consumidor moderno, que pensa: ‘para quê preciso comprar mais roupas hoje em dia?’. As pessoas deixam para depois. Então, é um setor que cresceu menos.”

Mas, para Meir, “a grande decepção é o e-commerce”. “No Brasil, é um setor que continua inexistindo, não cresce em termos de relevância, continua endividado”, diz o especialista, destacando que o setor é fortemente impactado por fatores pontuais que afetem a logística, como o aumento do preço dos combustíveis e o fim do serviço e-Sedex, dos Correios.

“O e-commerce é um setor que depende 100% de logística. Mas como pode repassar qualquer aumento para o consumidor? Por isso, tem sofrido demais. Não se desenvolve, não consegue melhorar sua performance.”

Além dos altos custos logísticos no Brasil de maneira geral, Meir também cita como dificuldade ao e-commerce as restrições ao crédito e mercado de capitais. “É o setor que mais sente essa dificuldade em poder girar a máquin

 

A pesquisa mostra ainda que o setor de farmácias, perfumaria e cosméticos também se destacou positivamente no ano. Além dos medicamentos, que têm uma demanda menos sensível às crises, o setor também contou com bom desempenho nas vendas de produtos de beleza e higiene pessoal, mesmo em meio à recessão.

Meir aponta uma questão cultural em relação à demanda dos brasileiros por esse tipo de produto. Segundo ele, os consumidores preferem trocar as marcas por outras mais baratas a ter que deixar de comprar itens de perfumaria e higiene. “Isso é comportamental, tem coisas das quais o consumidor não abdica. Ocorre uma reestruturação dos perfis de compra”, diz ele, apontando ainda o recente crescimento do mercado de cosméticos voltado ao público masculino.

 

Quem ficou para trás

 

O levantamento indica que o grande destaque negativo do ano no setor de varejo foram os materiais de construção, os únicos a fecharem 2016 com queda nas vendas. Meir explica que o resultado se deu em meio à crise do setor imobiliário como um todo, o que acaba afetando toda a cadeia.

“Os terrenos que tiveram grande investimento começaram a ser devolvidos, porque simplesmente não há poder aquisitivo para a compra de imóveis”, resume o especialista.

 




G1 Economia
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